Chamiço – Porto

Dia de Carnaval e manda a tradição que seja uma terça-feira gorda portanto deslocámo-nos ao restaurante Chamiço para dissecar a famosa francesinha. Dizem eles que são as melhores da região do Porto. Gaba-te cesta!

Como somos um pouco cépticos decidimos comprovar em primeira mão esta controversa afirmação. Fica ali na Rua da Constituição, 1057 para quem não estiver bem a ver onde é. Quem vem ali do Marquês em direção ao quartel do Batalhão dos Sapadores Bombeiros segue, segue e num bira.

É um espaço com uma dimensão considerável, decoração tradicional, duas salinhas (incluindo uma para fumadores) e pertence atualmente ao grupo Madureira’s bem conhecido das gentes do norte. Dá para ver bem a bola.

Como o cozido do almoço já estava esquecido fomos bicando as entradas. O couvert nesta casa faz-se de azeitonas, pão e o belo do rissol (que em inglês se diz patty). O pastel, tanto de carne como de camarão, era de categoria; já o pão desapontou – teria sido melhor terem guardado para fazer sopa seca.

A conversa ia rodando em torno de sobremesas tradicionais. Discutia-se a denominação do doce natalício feito com miolo de pão e cozido em água com açúcar e canela. Ora se numas terras se dá pelo nome de formigos noutras leva o nome de mexidos. E já que estamos a falar nisto sabiam que existem mais de dez mil espécies de formigas? Pois é. Guardem esta informação pois pode ser útil. Para o caso de estarem num quiz em grupo e esta ser a pergunta de desempate e os vossos amigos quererem responder setenta e quatro.

A marcha da batata normalmente abre hostilidades para o cortejo da francesinha e foi exatamente o que aconteceu. Assim sem muitos galanteios eis que trazem para a mesa em travessas individuais aquilo que irá servir de acompanhamento ao repasto principal. As batatas, caseiras e ligeiramente estaladiças, causaram boa impressão.

O número de abertura pode até ser bom mas é pelo artista principal que se paga o bilhete. Logo de seguida somos presenteados com a famosa sanduíche.

Haverá melhor maneira de celebrar um dia de excessos, de ruptura das proibições e em que quase tudo é permitido? Há quem o faça com uma corrida de panquecas – não nos cabe a nós julgar.

Assim à primeira vista deslumbra os mais esfomeados. O ar robusto e consistente deixa transparecer que há experiência na arte de montar a francesinha. O ovo em cima estrelado até ao ponto certo dissipa as dúvidas. Resta saber se o recheio corresponde…

A autópsia mostrou-se ambígua. Enquanto que num lado da mesa estava um bom bife, saboroso, tenrinho e no ponto, noutro apresentava-se num tom menos generoso e houve a queixa de que carne estava dura e mais enrijecida – a dar trabalho ao dente. Os enchidos eram de qualidade razoável e picantes qb. O molho não convenceu. Estava assim para o aguadito e desenxabido.

Vamos então a contas!

Saímos de lá com a sensação de dever cumprido mas não foi suficiente para nos fazer aguentar o período de jejum até à Páscoa por isso vamos ter de cumprir penitência de outra forma. Se tiverem sugestões enviem-nos!

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